Nuno Costa em entrevista ao Dinheiro Vivo: “A cooperação ibérica e o investimento em energia são fundamentais para o futuro”
O CEO do Grupo Quadrante, Nuno Costa, foi o protagonista de uma entrevista recente no jornal Dinheiro Vivo, onde analisou o plano estratégico da empresa até 2030, os desafios do setor energético na Europa e o potencial de crescimento da Península Ibérica através da cooperação transfronteiriça.
Rumo a 2030: Ambição e Crescimento Recorrente
Com o plano estratégico para o período 2026-2030 firmemente delineado , Nuno Costa reiterou que a visão de futuro da Quadrante permanece inalterada e focada na expansão. Independentemente de eventuais movimentações na estrutura acionista — como a natural saída futura do fundo Henko Brothers da sua posição minoritária —, as metas são claras:
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Crescimento de mercado: Multiplicar a atividade por três nos próximos cinco anos, com o objetivo de atingir cerca de 450 milhões de euros em vendas até 2030.
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Criação de emprego: Expandir a equipa atual de 1.500 colaboradores para um universo de entre 4.500 a 5.000 profissionais.
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Foco estratégico: Alavancar o crescimento orgânico e novas aquisições de empresas nas áreas de energia e mobilidade, tanto na Europa como nos Estados Unidos.
O Alarme sobre a Infraestrutura Elétrica em Portugal
Como consultor especializado, o CEO da Quadrante manifestou particular preocupação com o ritmo dos investimentos na rede de transporte de eletricidade em alta tensão em Portugal. Embora reconheça a excelência e a sofisticação da rede nacional , Nuno Costa alertou para a lentidão dos processos de aprovação burocrática e legislativa.
“Os investidores industriais que querem instalar unidades que vão criar emprego e riqueza a longo prazo não têm energia, não lhes é garantida a energia. (…) Ou então as pessoas desistem e vão para outros países.”
O líder da Quadrante defendeu a urgência de simplificar estes mecanismos administrativos para evitar a perda de investimento produtivo no país.
A Urgência da Autonomia Energética Europeia e a Aliança Ibérica
Face à atual instabilidade macroeconómica global e a episódios de tensão geopolítica em pontos críticos como o Estreito de Ormuz , Nuno Costa sublinhou a vulnerabilidade energética da União Europeia face a blocos como os EUA ou a China. Para o CEO, a solução passa por acelerar a transição energética através do investimento em energias renováveis, biogás e hidrogénio verde.
Neste cenário, a Península Ibérica surge como uma geografia privilegiada e com uma vantagem competitiva única devido à disponibilidade de energia limpa a preços competitivos. Nuno Costa deixou um apelo claro à união estratégica entre Portugal e Espanha:
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Atuação Coordenada: Juntas, as duas economias deixam de ser mercados medianos no contexto europeu para assumir um papel de destaque global, beneficiando das suas esferas de influência na América Latina e em África.
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Crescimento Conjunto: A coordenação de políticas económicas e energéticas permitirá capturar valor de forma mais robusta e acelerar o desenvolvimento industrial de toda a região.
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A versão integral desta entrevista foi originalmente publicada no jornal Dinheiro Vivo. Pode ler a entrevista completa aqui.